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O nascimento das pérolas começa quando um intruso, como por exemplo,

um grão de areia, entra dentro do corpo da ostra

A primeira reação da ostra é tentar expelí-lo, mas algumas vezes, o pequeno intruso se esconde entre a carne e a concha, e a ostra, como defesa, libera pelo seu manto (que abrange a sua carne como uma pele), uma substância chamada de nácar que envolve o intruso, isolando-o dentro de seu corpo. As camadas de nácar depositadas lentamente ao redor do intruso, formam uma substância lisa e compacta que, após alguns anos, resulta na pérola. Deste modo, as ostras desenvolveram um sistema de defesa perfeitamente natural contra qualquer intruso. A pérola que nasce resulta, portanto, do mecanismo de proteção mais elegante jamais concebido por um ser vivo contra um agressor externo. Retirada já perfeita de seu berço de nascimento, ela não necessita nenhum polimento ou retoque, a pérola é um milagre da natureza.

Pérola cultivada ou natural?

A pérola cultivada é uma pérola natural que recebe ajuda do homem somente para começar a se formar. A pérola produzida sem a ajuda do homem é raríssima e, devido ao crescente comércio de pérolas, o homem passou a cultivá-la. A pérola cultivada é então, considerada natural, uma vez que a ostra a produz da mesma forma, mas utilizando uma técnica que consiste apenas na implantação de um corpo estranho na ostra, estimulando-a a formar uma pérola naturalmente.

As pérolas do Tahiti e as South Sea são pérolas cultivadas a partir da técnica Mise-Nishikawa, criada por dois japoneses no início do século XX, a qual consiste da introdução de uma esfera de nácar (produzida, usualmente, de pedaços de uma concha natural da região do Rio Mississipi, EUA), assim como, um pedaço do tecido (retirado de uma ostra doadora) em uma ostra hospedeira, a qual produzirá a pérola a partir desse material. Deste modo, chama-se de ostra doadora a ostra mais bela que é sacrificada para doar pedaços de seu tecido e, chama-se de ostra hospedeira a ostra que recebe estes pedaços de tecido. A esfera de nácar é chamada de “núcleo” e o pedaço de tecido de “enxerto”. O enxerto tem a função de secretar a matéria perolífera, que formará o saco perolífero dando origem à camada de nácar (constituída de aragonita) que revestirá o núcleo inserido na ostra.

O núcleo e o enxerto são cirurgicamente inseridos na gônada (órgão reprodutor do molusco) da ostra, ao invés de simplesmente depositada no interior da ostra, pois as ostras, na perolicultura, ficam elevadas por um fio e suspensas com a abertura virada para baixo. Se o núcleo fosse simplesmente depositado dentro da ostra ele escaparia muito rapidamente.

A perolicultura consiste de 5 etapas: 

1.    Coleta: As ostras Pinctada margaritifera e Pinctada maxima vivem naturalmente anexadas a corais e rochas. Uma vez que os ovos são fertilizados, dão origem a larvas de ostras ou ostras jovens que são coletadas e transferidas para lagunas, onde serão observadas por cerca de três anos, recebendo cuidados até ficarem prontas para o processo de reprodução.

2.    Reprodução: Após coletadas, as ostras jovens são colocadas em suportes de reprodução subaquática que se tornam centros de procriação por até aproximadamente três anos.

3.    Enxerto: Quando adultas, as ostras receberão um núcleo de forma redonda e um pedaço de tecido (enxerto) de uma ostra doadora. O enxerto é uma operação extremamente delicada que consiste de duas etapas: a escolha/preparação dos tecidos (enxertos) e a incisão desses tecidos na ostra hospedeira, juntamente com o núcleo. Para realizar a escolha dos enxertos, avalia-se a cor das paredes internas das conchas com um espelho. Se as cores são belas, sacrifica-se a ostra (doadora), para retirar a cobertura e preparar os enxertos. A cobertura é preparada e pedaços de tecidos são recortados (enxertos). A incisão é realizada na gônada da ostra hospedeira, onde o núcleo é introduzido juntamente com o enxerto que se desenvolverá para formar o saco perolífero, que por fim resultará na pérola. Porém, de cada cem ostras enxertadas, dez não resistem ao choque operatório, dez morrem ao fim de dois anos e trinta rejeitam o núcleo.

4.    Criação: Após aproximadamente 18 meses de cultivo, dos 50% das pérolas produtivas, 20% não atingem o índice de qualidade mínimo estipulado pelo controle da qualidade realizado pelo órgão oficial da Polinésia Francesa. Das 30% restante, somente uma ou duas pérolas podem ser consideradas perfeitas (Top Gem).

5.    Colheita: Processo de remoção das ostras do mar para retirada das pérolas cultivadas. Neste processo, além da retirada das pérolas, verifica-se a possibilidade de se realizar um segundo enxerto. Caso seja possível, há uma grande chance de a próxima pérola apresentar um tamanho maior, já que a bolsa receptiva se dilata a cada gestação.

Vários fatores influenciam a qualidade de uma pérola cultivada do Tahiti, tais como a escolha do local e a qualidade natural da água, a seleção das ostras, os cuidados dados às ostras, a escolha do enxertador e a técnica de enxerto.